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Just Mom

Uma autêntica salada russa (eu sei!), mas espero que se divirtam a ler.

Just Mom

Uma autêntica salada russa (eu sei!), mas espero que se divirtam a ler.

08
Dez16

sobre o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres*

Mom Sandra

Há um aumento de vitimas masculinas, também na comunidade LGBTI (Lésbica, Gay, Bissexual, Transgénero e Intersexo). Temos de dar resposta. Sou feminista, mas feminismo é igualdade, não é só defender as mulheres. Essa é uma visão enviesada.

Catarina Marcelino - Secretária de Estado da Cidadania e Igualdade, ln Visão Nº1237 de 17 de Novembro de 2016 (reportagem "A face oculta da violência doméstica" de Miguel Carvalho)

 

 

 

Sim, é verdade, também existem vitimas de violência doméstica que são homens.

 

Assim como também é verdade que esse número tem vindo a crescer.

 

Entre 2013 e 2015, deram entrada na APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vitima - 1240 queixas provenientes de homens.

Entre 2013 e 2105, de acordo com os relatórios da Segurança Interna, foram registadas mais de dezoito mil queixas de violência contra homens. O número de mulheres agressoras condenadas por homícido conjugal também aumentou.

 

Dizer que um homem não é violentado pela mulher, não é fraco nem chora, são esteriótipos chocantes que depois se refletem em crianças e adolescentes. Nem todos os meninos têm de ser Bob, o Construtor, nem as meninas Barbies.

 Catarina Marcelino - Secretária de Estado da Cidadania e Igualdade, in Visão Nº1237 de 17 de Novembro de 2016 (reportagem "A face oculta da violência doméstica" de Miguel Carvalho)

 

 

Até 2015, o PAVD - Programa para Agressores de Violência Doméstica - do Minstério Píblico, não tinha mulheres a fequentá-lo. Não sei dizer quando é que as mulheres passaram a estar contempladas neste programa, mas já existem.

 

Até 2015, havia zero. Por isso há um salto estatístico imprtante.

Catarina , directora do GEAV - Gabinete de Estudos e Atendimento a Vitimas - da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, in Visão Nº1237 de 17 de Novembro de 2016 (reportagem "A face oculta da violência doméstica" de Miguel Carvalho)

 

 

Neste momento existem seis mulheres agressoras no programa de acompanhamento do GEAV. A maioria são mães violentas com os filhos.

 

 

 

 

 

* foi no dia 25/Nov. Participei na campanha de sensibilização #ésinaldeviolência da APAV e Rádio Comercial. Vejam!

 

 

Este post teve como base a reportagem da revista Visão, de 17 de Novembro de 2016, "A face oculta da violência doméstica" de Miguel Carvalho.



25
Fev15

O que rende é ir ao continente...

Mom Sandra

"Sobre os abusos permanentes aos trabalhadores dos hipermercados CONTINENTE / por trabalhadora abusada"

"Os hipermercados são um lugar horrível: cínico, falso, cruel. À entrada, os consumidores limpam a sua má consciência reciclando rolhas e pilhas velhas, ou doando qualquer coisa ao sos hepatite, ao banco alimentar ou ao pirilampo mágico. Dentro da área de consumo, cai a máscara de humanidade do hipermercado: entra-se no coração do capitalismo selvagem. O consumidor, totalmente abandonado a si próprio (é mais fácil de encontrar uma agulha num palheiro do que um funcionário que lhe saiba dar 2 ou 3 informações sobre um mesmo produto), raramente tem à disposição mercadorias que, apesar do encanto do seu embrulho, não dependam da exploração laboral, da contaminação dos ecossistemas ou de paisagens inutilmente destruídas. Fora do hipermercado, os produtores são barbaramente abusados pelo Continente (basta que não pertençam a uma multinacional da agro-indústria), que os asfixia até à morte e, quando há um produtor que deixa de suportar as impossíveis exigências que lhe são impostas, aparece outro que definhará igualmente, até encontrar o mesmo fim. Finalmente, nas caixas do hipermercado, para servir o consumidor como escravos idênticos aos que fabricaram os artigos comprados, estamos nós.

O hipermercado está portanto no centro da miséria que se vive hoje no mundo. O consumidor, o produtor e nós temos uma missão comum: contribuir para que os homens mais ricos do planeta fiquem cada vez mais ricos – contribuir para que a riqueza se concentre como nunca antes na história. Se somos todos diariamente roubados e abusados, é por este mesmo e único motivo.

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Vou-vos relatar apenas a minha banal experiência diária (sem pontos de exclamação já que o escândalo é comum a qualquer um dos tópicos que irei descrever). Espero que sirva de alguma coisa, apesar de saber que ninguém se incomodará muito com ela. Afinal, é a mesma selva que está já em todo o lado.

  • 1 – salário

Trabalho 20h semanais em troca de 260€ mensais, o que dá pouco mais de 3€ por hora. Que isto se possa pagar a alguém em 2015 devia ser motivo de vergonha para um país inteiro. Que seja um milionário a pagar-me esta esmola devia dar pena de prisão efectiva.

  • 2 – precariedade

Já vou no terceiro ‘contrato’ de seis meses e ainda não passei a efectiva. Quando chegar a altura em que poderei finalmente entrar para o quadro, serei dispensada como tantas outras. A explicação para a quebra brutal na natalidade está encontrada: afinal, alguém consegue ter filhos nestas condições?

  • 3 – trabalho não remunerado fora do horário de trabalho

Se o futuro é uma incógnita, o presente é sempre igual: todos os dias, sem excepção, trabalho horas extra grátis que me são impostas. O meu horário de saída é às 15h mas, depois dessa hora, ainda tenho para executar várias tarefas obrigatórias, que me levam entre 15 a 20 minutos diários, como arrumar os cestos das compras e os artigos que os clientes deixam ficar na caixa ou guardar o dinheiro no cofre. No quase ano e meio que levo a trabalhar no Continente, devo ter saído uns 5 dias, no total, à hora certa. E já cheguei a sair uma hora e meia depois das 15h, apesar de os meus superiores saberem muito bem que dali ainda vou para outro trabalho e de, por isso, eu ter sempre imensa pressa para não me atrasar.

  • 4 – trabalho em dias de folga

Para perpetuar a falta de funcionários na loja, obriga-se aqueles que lá estão a trabalharem pelos que fazem falta, oferecendo assim todos os meses algumas horas do seu tempo de vida e de descanso ao patrão, que deste modo poupa no número de salários a pagar. Mais absurdo: num dia em que esteja de folga, posso ser convocada para ir à loja para fazer inventário. Sou obrigada a ir, apesar de estar na minha folga, e apenas posso faltar mediante justificação médica. E, como se não bastasse, até já aconteceu eu ser avisada no próprio dia da folga.

  • 5 – cada segundo de exploração conta

Neste ano e meio, cheguei uma única vez 5 minutos atrasada e a minha superior foi logo bruta e agressiva comigo, tendo-me gritado e agarrado pelo braço, apesar de supostamente haver uma tolerância para se chegar até 15 minutos atrasada. Nunca mais voltei a atrasar-me. Nem 10 segundos. (Já sair pelo menos 15 minutos mais tarde do que a hora prevista, isso é todos os dias.)

  • 6 – formatação do corpo

Relativamente à aparência física, devemos formatá-la meticulosamente, ao gosto sexista do patrão. Na loja onde trabalho, várias colegas tiveram por isso de eliminar os seus pírcingues, apagar também a cor das unhas (lá só é admitido o vermelho) e uma até teve de mudar de penteado. O patrão quer que nos apresentemos como autênticas bonecas. Faz lembrar os escravos que eram levados para as Américas, a quem se retiravam as suas marcas corporais para serem explorados sem outra identidade que a de escravos (seres humanos transformados em mercadorias).

  • 7 – pausa para comer/urinar/descansar é crime

Mas o pior de tudo é mesmo o que acontece durante o tempo de trabalho. Os meus superiores querem que eu esteja as 4 horas sentada a render o máximo que é humanamente possível, por isso, dificultam ao máximo as minhas pausas – que são legais e demoraram séculos a conquistar – para ir comer qualquer coisa ou ir simplesmente à casa de banho. A única coisa que me autorizam a levar para junto de mim, no meu posto de trabalho na caixa, é uma garrafinha de água previamente selada e nada mais. De resto, o que levar para comer e beber (sumos e iogurtes líquidos não podem ir comigo para a caixa) tenho que deixar no Posto de Informações e só tenho acesso quando da caixa telefono para lá. Normalmente, no Posto, fazem que se esquecem desses pedidos, passando uma eternidade até eu finalmente conseguir ir comer. E, quando a muito custo lá consigo obter autorização para ir comer, sou pressionada para ser ultra rápida, pelo que em vez de mastigar estou mais habituada a engasgar-me. O mesmo acontece com as idas à casa de banho, sempre altamente dificultadas.

  • 8 – gerem-nos como se fôssemos animais

Há uns tempos, uma colega sentiu-se mal quando estava na caixa, fartou-se de pedir licença para ir à casa de banho, mas foi obrigada como de costume a esperar tanto, tanto que lá se vomitou, quase em cima de um cliente.

Não se calem e denunciem todos os abusos nas redes sociais e nos blogs.

(gostava imenso de assinar, mas os 260€ do salário fazem-me tanta falta)"

 

O texto original AQUI

 

 

Este post é uma cópia do post publicado ontem pela Soutodaamor - Coisas que vou lendo #4 e tem como propósito denunciar o trabalho precário e o enriquecimento ilicito que as grandes empresas portuguesas ainda praticam em pleno século XXI.