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Just Mom

Uma autêntica salada russa (eu sei!), mas espero que se divirtam a ler.

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09
Mai17

A política do "Posso ficar a dever-lhe um cêntimo?"

Mom Sandra

Pode um cêntimo fazer diferença? Bem... depende da situação. 

 

Imaginemos, então, as seguintes duas situações:

 

SITUAÇÃO A:

Vamos a uma daquelas grandes cadeias de lojas, quase sempre multinacionais, fazemos as compras calmamente e, quando vamos pagar, ouvimos do outro lado "posso ficar a dever-lhe  cêntimo?". Por norma todos respondemos que sim, afinal um cêntimo não vale nada.

 

Também eu aceitava, sem hesitação, que me ficassem a dever um cêntimo... até que:

 

SITUAÇÃO B:

Vamos a uma daquelas grandes cadeias de lojas, quase sempre multinacionais, fazemos as compras calmamente e, quando vamos pagar, percebemos que nos falta um cêntimo. Como é lógico, perguntei à pessoa da caixa "posso ficar a dever-lhe  cêntimo?", e qual não foi o meu espanto quando me responderam que não e fui obrigada a deixar um produto para trás.

 

Não gostei! Fiquei furibunda! Só me apeteceu pedir o livro de reclamações, mas não o fiz. Comecei a magicar o meu próximo passo. Não perdiam pela demora!

 

Foi então que aconteceu o impensável (não para mim, que tinha tudo bem pensado), que deu origem a uma terceira situação:

 

SITUAÇÃO C:

 

Vamos a uma daquelas grandes cadeias de lojas, quase sempre multinacionais, fazemos as compras calmamente e, quando vamos pagar, ouvimos do outro lado "posso ficar a dever-lhe  cêntimo?" - E foi aqui que a coisa aconteceu!!! - Muito calmamente, respondi "Não!" - e a expressão da pessoa foi indescritível e inesquecível!, mas continuei - "Na semana passada estive aqui e ficaram a dever-me um cêntimo. Ainda agora vi que ficou a dever um cêntimo à pessoa anterior, por isso, não pode!" - e aqui a pessoa mudou, literalmente, de côr - "Consegue perceber o exorbitante lucro desta cadeia, apenas por ficarem a dever um cêntimo aos seus clientes?" - neste momento a pessoa da caixa começou a olhar para todos os lados e os poucos clientes que se encontravam na loja começavam a perceber o que se passava - decidi que iria dar a conversa por terminada, dizendo "a partir do momento em que me negaram igualdade, ao não me deixarem ficar a dever um cêntimo, a minha atitude passa, então, a ser igual à vossa" e pedi que me escrevesse no verso do talão que me ficava a dever um cêntimo, para que fosse descontado na próxima conta.

 

E não é que a pessoa da caixa se recusou a fazê-lo?!

 

Apesar de me ter saltado a tampa e estar em ebulição por dentro,  mantive a calma aparente e pedi para chamar o responsável da loja. A pessoa recusou. Já a bater o pé e de braços cruzados, pedi o livro de reclamações. Nova recusa. Comecei a gesticular e a dizer que iria chamar a polícia porque assim já estávamos a falar de um roubo - opá, tinha dito a palavra mágica "Polícia"! a sua atitude mudou completamente - levantou-se da cadeira (acho que, no meio de tanta conversa, se terá sentido sem forças e sentou-se) e foi chamar o responsável.

 

Respirei fundo, para me acalmar, e quando o responsável me perguntou o que se estava a passar contei tudo, muito calmamente - bem, escusado será dizer que, neste momento todos os clientes da loja estavam ao meu lado e a apoiar-me - inclusive a parte de chamar a polícia. O responsável, muito prontamente (e acrescento, acertadamente) escolheu a opção de escrever no verso do talão que me ficava a dever um cêntimo.

 

 

 

Desde este dia, nunca mais aceitei que me ficassem a dever um cêntimo. É escandaloso o que certas empresas chegam a ganhar com esta atitude.*

 

 

 

 

*penso que não existem estudos sobre os lucros ganhos com a história de ficarem a dever um cêntimo aos seus clientes, mas deduzo que seja mesmo muito.



2 conversas

  • Imagem de perfil

    Mom Sandra 09.05.2017

    Na situação B, não pedi o livro de reclamações, precisamente por não haver fundamento. Image


    Isto passou-se nos anos 90 (na altura não eram cêntimos, mas sim centavos... no fundo, vai dar ao mesmo), mesmo no início da política dos preços psicológicos. Acho que ainda não havia um "código de conduta" para estas situações. Penso que eram resolvidas conforme iam surgindo, e de acordo com o local. 


    Beijinhos
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