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Just Mom

Uma autêntica salada russa (eu sei!), mas espero que se divirtam a ler.

Just Mom

Uma autêntica salada russa (eu sei!), mas espero que se divirtam a ler.

08
Fev18

My dear friend Lelo

Mom Sandra

Sabem aquele amigo, cuja vida foi feita de aventuras e desventuras?, que conhece VIPs do mundo da moda e música e literatura e política?, que tem sempre histórias fantásticas, dos seus tempos antigos, para contar?... O meu chama-se Lelo.

 

Conheço o Lelo há quase vinte anos. Aparecia, todos os dias, no bar e bebia. Entrava a falar português e saía a falar inglês, porque viveu muitos anos em Inglaterra e o álcool turvava-lhe o pensamento - depois de bêbado, só conseguia pensar e exprimir-se em inglês.

 

Acabámos por passar muitas horas a conversar, porque eu era das poucas pessoas que conseguia ter um diálogo com ele. Ele contava-me a sua vida e eu respondia-lhe com perguntas. Ambos gostávamos daquelas conversas - eu, porque aprendia sempre algo, ele porque podia falar horas, em inglês.

 

Sobre o Lelo, posso dizer-vos que viveu uma vida plena, em todos os aspectos. Viveu a vida tal como quis, em cada momento. Não sei se tem arrependimentos, porque nunca me lembrei de lhe perguntar, mas se os tiver será por algo que tenha feito e não do que não fez, certamente.

 

Hoje o Lelo já não vive, só sobrevive.

Internado, a sua vida resume-se a estar deitado numa cama de hospital, de onde só sai, durante breves minutos, na cadeira de rodas, para fumar um cigarro, duas vezes por dia... o maldito cancro está a tomar conta dele.

 

Já não vejo o Lelo há duas semanas, mas todos os dias penso nele.

 

Obrigada por tudo, amigo Lelo!

 

 



03
Fev18

Ser mãe é... plantar sementes

Mom Sandra

Um dia destes, em conversa com a Inês, o assunto alvo de discussão eram as profissões e a importância de cada uma delas.

Perante a pergunta:

Qual destas profissões é, para ti, mais importante, médico ou empregada de limpeza?"

 

A sua resposta foi imediata:

Médico, como é lógico! Os médicos salvam vidas!

 

Estando já à espera desta resposta, lancei-lhe outra questão:

Então e se não houver quem limpe o bloco operatório?!

Será que os médicos conseguem salvar tantas vidas, se ninguém limpar os hospitais?

 

Ela pensou durante uns momentos e disse-me que eu tinha razão e que ela nunca tinha pensado nisso. Era a esta conclusão que eu estava à espera que ela chegasse. Como queria que ela pensasse mais um pouco acerca deste tema, argumentei desdizendo-me.

Expliquei-lhe que todas as profissões têm a sua importância, mas que existem, de facto, profissões mais importantes do que outras. uma vez que, para as praticar é necessário um conhecimento especifico. 

 

(percebi a confusão a nascer,naquele cérebro, através do franzir da testa)

 

Antes que ela pudesse dizer alguma coisa, acrescentei que: um médico é, de facto, mais importante, uma vez que limpezas, melhor ou pior, todos as conseguimos fazer, ao passo que poucas são as pessoas que têm conhecimentos médicos. Mas que essa importância não podia ser motivo de superioridade, pois ambas são necessárias para que vivamos bem. Dei-lhe exemplos reais, de pessoas que, devido à sua profissão, se acham superiores aos outros e de outras que se tornam "invisiveis" quando têm uma bata vestida.

Concluí a conversa dizendo-lhe que todas as profissões são importantes, pois se não houvesse quem conduzisse transportes públicos, ou despejasse os lixos, ou controlasse o tráfego aéreo, ou fosse pedreiro, ou marceneiro, ou vidraceiro, ou juíz, ou polícia, a vida era o caos. 

 

 

 

A Inês tem 14 anos. É uma boa aluna, com média de 4. Anda no 9º ano e é dos poucos adolescentes que sabe, desde o Jardim Infantil, o que quer ser quando crescer.

É uma menina simpática, educada, mas tem um bocado a mania (não gosto que seja assim e chamo-lhe à atenção quando a vejo ter atitudes destas, mas, na verdade, tem motivos para isso - é bonita e inteligente - ) o que a torna um pouco fútil (infelizmente, vejo esta geração muito superficial, preocupam-se demasiado com os umbigos e é só isso que interessa - umbigos).

Não sei como vai ser quando crescer, mas se não aprender a ser um pouco mais humilde e a olhar para os outros como iguais, vai sofrer. O meu papel, como mãe, é ensinar-lhe estas duas coisas, e por isso tive esta conversa com ela. Quis que ela percebesse que todas as profissões têm o seu lugar na nossa vida e que sem muitas (que não as percebemos porque não as vemos, mas que existem) delas a vida seria quase impossível.

 

Vou continuar a insistir até perceber que a semente está plantada.. Depois só depende dela fazê-la crescer.



02
Fev18

Por vezes o cérebro prega-nos partidas

Mom Sandra

(imagino o meu cérebro a gozar o prato e a rir à gargalhada, sempre que me prega esta partida)

 

 

As palavras fervilham na minha mente. Os pensamentos correm, passando de uns para outros, quase sem que me consiga aperceber. Por vezes, tento voltar ao início e recordar o pensamento que deu origem a outros tantos (algumas com sucesso), mas eles multiplicam-se e eu perco-me...

Tenho de os escrever, para não me voltar a perder. lembro-me do caderno... que tirei da mala há uns dias, com o intuito de comprar um novo... que ainda não aconteceu... Ora Bolas! (comprar caderno! - pronto, agora que já o escrevi, já não me esqueço)

Procuro na mala o telemóvel. Ligo o gravador de voz e as palavras não saem, agrupadas em frases, como eu esperava.  ao invés, voam, tal como gaivotas na praia, num final de tarde de verão, primeiro apenas algumas e depois outras, seguidas de outras e de outras, até voarem todas da minha mente. e eu, em vez de contemplar as que iam ficando, preferi despedir-me, em silêncio, das que se iam embora.

 

Sem outros pensamentos, limito-me ao que estava a fazer.



29
Jan18

Parei, Pensei e Percebi

Mom Sandra

Com o passar dos anos, torna-se inevitável escolhermos um (ou vários) dia(s) para fazermos um balanço da vida, e de nós. Uns escolhem o final, ou início, do ano. Outros a idade, normalmente um número redondo - terminado em zero ou cinco (a mim aconteceu-me aos quarenta e dois...). Outros o casamento ou nascimento de um filho. Outros mesmo, a morte de alguém chegado... Não importa a data, mas a verdade é que todos, mais cedo ou mais tarde, sentimos necessidade de pararmos e olharmos para quem somos, o que temos, quem temos e percebermos o que queremos.

 

A minha introspecção levou-me a perceber, primeiro que tudo, o quanto amadureci. Percebo-o, todos os dias (excepto quando conduzo... ainda me encontro, muitas vezes, na fase em que "devia ter uma estrada só para mim",), tanto em pequenas, como em grandes acções. Percebo-o, quando me consigo fazer explicar sem tentar levar a minha avante. Percebo-o, quando, com toda a paciência e atenção do mundo, escuto o que por vezes não me apetece ouvir. Percebo-o, quase sempre que algo me corre mal, tendo ou não a culpa.

 

Apercebi-me, também, que:

falo menos vezes com quem gostaria de o fazer, tanto aqui como lá fora.

perco menos tempo a tomar decisões que sei que eventualmente, iriam acabar por acontecer.

voltei a fazer coisas que tinha deixado de fazer.

conheci novas pessoas, que me deram a conhecer outras experiências de vida.

adoro palavras cruzadas!... principalmente as brancas!

 

Por fim, as certezas

Este ano coube-nos sermos os #campeoesdeinverno!!!!!!!! (um pequeno aparte, se me permitem, os meus agradecimentos a todos os que, directa ou indirectamente, contribuíram para esta vitória!)

 

 

Se estou mal, mudo-me. de vez em quando acontecem coisas boas.

Sinto-me mais confiante. A ansiedade ainda está cá, mas procuro (cada vez com melhores resultados) manter a calma, antes de me perder.

Todos os lugares onde estive a trabalhar (sete, totalmente diferentes, no espaço de um ano) trouxe comigo experiências - quer laborais, como sociais.

Aceitar é o primeiro passo para a mudança.

As dúvidas nascem na mesma proporção das certezas.

Passei a ter mais certeza, de algumas certezas que tinha.

 

 

a imagem veio d' A Bola



27
Jan18

Falar do que não vi, mas penso que sei

Mom Sandra

Escrevo este post para falar do que não vi, mas que, como mãe, penso que tenho habilidade para falar.

 

Não vi um único episódio do reallity show da SIC, assim como também não vi (nem li) nada sobre este programa. 

 

Sendo eu mãe já há 14 anos, sinto-me com experiência suficiente para expor a minha opinião. Basicamente, e para não variar, tenho a cabeça cheia de perguntas sobre toda a envolvente deste programa.

Desde a concepção do pensamento (a ideia no seu estado puro), até à recepção da mesma, tanto por parte dos senhores que mandam nos diversos canais por onde este programa passa, até aos pais que se inscrevem; passando pela pessoa que aceitou ser a SuperNanny e pelas crianças, que coitadas, se vêem, de repente, expostas a tudo e todos.

 

 

Começo, não por uma pergunta, mas por vos dizer que acho, realmente, que esta ideia é... só estúpida!... desculpem, não é só estúpida, é mesmo... muito estúpida!

 

 

Posto isto, aqui ficam as minhas perguntas:

 

(sobre o idiota)

Que tipo de pessoa tem uma ideia destas?

Como pode alguém, achar que pode ganhar dinheiro com o maior problema dos pais - como educar um filho? - expondo-o a todo o mundo?

Terá, a mente brilhante, filhos?

Será que o pensador comentou a sua ideia com alguém?, e se sim, qual foi o feedback?

Não a sério, gostava muito de saber quem foi o génio que teve esta ideia!!!

 

(sobre os senhores da televisão)

Pensaram, mesmo a sério, no impacto que este programa teria nos seus intervenientes?

Quanto é que pagaram por isto?

Que tipo de retorno esperavam ter?

Como foi o processo de escolha da psicóloga?

E as famílias, como foram escolhidas?

 

(sobre os patrocinadores - que não sei quantos eram, nem quem eram)

A sério?! Este programa teve patrocinadores?

Quais foram?

 

(sobre a SuperNanny)

Qual foi a parte do estudo de psicologia que não percebeu?

Por acaso pensou na exposição daquelas crianças e no impacto psicológico que este programa tem?

 

(sobre os pais)

mais do que perguntas, tenho ideias - e bem melhores do que esta - sobre a parentalidade. Leiam! Ser pai não é uma tarefa fácil, porque não se ensina. Não existem escolas para sermos pais, apenas outros pais. E existem muitos pais que escrevem sobre parentalidade, seja em blogs, ou em revistas. Eles não nos ensinam a sermos pais, mas pelo menos ajudam, mostrando-nos outros pontos de vista, ou, algumas dicas sobre como conduzir situações.

O que é que vos passou pela cabeça?

 

(sobre as crianças)

Alguém pensou nelas?

Alguém lhes perguntou se estavam afim de serem filmadas a fazer birras e a comportarem-se mal?

Alguém se deu ao trabalho de lhes explicar as implicações desta exposição?

Como terá sido a segunda-feira seguinte à exibição do programa?

Tremo, só de pensar no alvo de chacota a que foram sujeitos, na escola...

 

(adorava ter respostas!)

 

Numa altura em que se fala tanto acerca da falta de empatia que se verifica nas nossas crianças, será que nenhum destes intervenientes se deu ao trabalho de se por no lugar destas famílias e pensar - E Se Fosse Comigo?

Talvez a falta de empatia das crianças se deva à falta de empatia dos seus pais....



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